Viver pra depois postar

brinde

Ultimamente venho passando por uma mudança na minha maneira de “existir online”. Na realidade já tem um tempo em que venho refletindo sobre estar conectada demais, sobre como compartilhar conteúdo e sobre a necessidade de postar o tempo todo para ser vista. Já indiquei aqui um vídeo da Nátaly Neri sobre slowblogging que tem muito a ver com esse momento que estou vivendo. Falando nisso,  agora as indicações da semana acontecem no meu instagram @virandovegana.

Acontece que tenho me sentido cansada e também tenho observado muitas pessoas falando sobre sentir a mesma coisa. Sobre como essa necessidade de gerar conteúdo o tempo todo tem exaurido nossas energias, sobre como compartilhamos e consumimos um conteúdo descartável, que em pouco tempo se perde no meio de tanta informação. Um exemplo nítido disso são os assuntos que estão em alta no momento. Ao invés de procurar entendê-los melhor, formular uma opinião e depois decidir se existe necessidade ou não de compartilhar algo a respeito, a gente segue compartilhando meio que sem critério. Entendo que alguns assuntos são super importantes e justamente por isso merecem um pouquinho mais de dedicação e averiguação. Em tempos de fake news, analisar se tornou item essencial.

E nessa de ser mais criterioso e “blogar devagar”, acabamos vivendo o dilema de “ser esquecido”, já que as redes sociais são feitas para que passemos a maior parte do tempo possível conectados a elas gerando conteúdo. Quando essa regra é quebrada, a relevância vai reduzindo. Nessa nosso ego grita e esperneia, porque afinal, a gente quer ser visto. E brinco nesse sentido porque eu entendo que quando queremos que nossa mensagem, o que é importante pra nós e acreditamos que é útil também para as pessoas, não é entregado pra elas como gostaríamos, ficamos realmente chateados. Mas faz parte. Quem gosta do que a gente faz, fala e produz, acaba acompanhando nosso conteúdo independente desses detalhes.

Desde que vim reduzindo a quantidade de postagens (que começou no ano passado, quando comecei a rever muitas coisas na minha vida), embora meu alcance também tenha se reduzido, confesso que mesmo meu ego se chateando um pouco por não ver os corações e os seguidores aparecendo, sinto que estou mais em paz, sem aquela aflição doida de querer compartilhar tudo o tempo todo, sem querer fazer da vida um reality show e muitas vezes sem aproveitar de fato uma experiência para depois compartilhá-la. Nessa semana assisti uma apresentação musical linda. Filmei alguns trechinhos, guardei e postei no dia seguinte. Me senti bem por, mesmo registrando aquela experiência que tanto me tocou para compartilha-la com outras pessoas depois, consegui estar mais presente e menos preocupada em postar nas redes sociais. Gostei disso e pretendo manter as coisas assim.

Outra coisa muito, mas muito válida mesmo foi ter limitado a quantidade de tempo nas redes, especialmente no instagram que é a rede social que eu mais uso. Delimitei apenas duas horas diárias (que se for pensar é um baita tempo) e depois disso percebi que me sobrava tempo pra fazer outras coisas. Estou lendo e estudando mais e conseguido fazer muitas outras atividades. Bendita hora que comecei a usar essa ferramenta!

Não cogito a possibilidade de excluir todas as minhas redes sociais porque eu gosto de usa-las como uma forma de compartilhar minhas experiências além de aprender com muitas outras pessoas. Mas acho que a gente deve priorizar a nossa vida real, que vem sendo sacrificada em prol de um feed atualizado. Acho que a gente deve curtir o presente, registrar e depois postar, sem a necessidade imediata de compartilhar. Aliás, a gente também pode escolher não postar. Embora estejamos na era do “se não foi postado não foi vivido” podemos escolher o que postar e com quem compartilhar. Não precisamos transformar nossas vidas em um reality show onde cada passo é compartilhado. Manter algumas coisas offline, além de seguro, também faz bem. Algumas felicidades precisam ser vividas apenas do lado de cá da tela,

 

 

Obrigada, agosto!

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Quem assina minha newsletter descobriu que o mês de agosto tem sido um mês de profundas transformações na minha vida ao longo dos anos. Esse blog, inclusive, é fruto disso, já que lá em 2013, passando pelos ataques de pânico, iniciei um projeto de ficar um ano sem comprar nada e comecei a registrar aqui nesse espaço essas experiências. Acabei desativando o blog e muita coisa se perdeu. Essa experiência se tornou algo muito maior, que me mudou de rota, me fez questionar muitas e muitas coisas. Especificamente em 2013 eu não conseguia ser otimista nem ver saídas. Estava no olho do furacão, vivenciando tantas coisas desconhecidas que não conseguia pensar que tudo ia passar. Se a Bruna do futuro me dissesse que eu (naquela época) seria muito agradecida por todos esses momentos difíceis e pelos aprendizados que eles me trouxeram, eu me chamaria de maluca! Mas hoje, 6 anos depois, sou realmente muito grata.

Outra mudança significativa que aconteceu assim que o projeto do ano sem compras terminou, foi que me tornei ovolactovegetariana. Mesmo sem nunca haver cogitado essa possibilidade pois não era um assunto sobre o qual eu havia pesquisado, depois de assistir a uma matéria que contava a história de um frango resgatado, Marcelo (meu companheiro) me propôs parar de ingerir carne e juntos passamos por essa mudança. Depois dessa decisão que comecei a estudar e entender mais profundamente todas as questões envolvidas a respeito da causa e posteriormente (em 2016) me tornei vegana e acabei criando uma conta no instagram para aprender e compartilhar meus aprendizados nessa mudança que trouxe muito sentido pra minha vida.

Não sei exatamente o que acontece energeticamente no mês de agosto que acabo passando por processos que me marcam tanto. O que não significa que transformações importantes não aconteçam em outras épocas do ano, mas essas duas me marcaram muito pois me alinharam a valores que hoje me fazem me sentir com um propósito, envolvida com o que acredito e trabalhando na disseminação tanto do veganismo quanto de uma vida mais consciente. Nesse agosto que começou um mês estranho e cheio de dilemas, acabei tendo a sorte de me cruzar (ainda que virtualmente) com pessoas cujas palavras foram um alento. Graças a essas conversas consegui enxergar outros pontos de vista, exercitar mais a paciência e a me dedicar a me preparar para colocar em prática o que tanto desejo. Li alguns livros também que pareciam me trazer exatamente o aprendizado do qual necessitava naquele momento, o que só me faz reforçar a ideia de que não sou eu que encontro os livros, mas eles que de alguma forma mágica, me encontram.

Eu agradeço não só em agosto, mas todos os dias pelos aprendizados que vivencio. Alguns são mais difíceis, outros mais leves, mas sinto que todos contribuem para meu aprimoramento e me ajudam a me aproximar da pessoa que desejo ser. Alguns levam mais tempo do que outros, mas tenho observado que os picos e os vales, os altos e baixos são parte do nosso caminho. Buscamos tanto por estabilidade, mas penso que isso nunca será possível. A vida sempre acontece e sobre algumas coisas temos maior ou menor controle. O desafio é não querer fugir dos momentos difíceis nem viver para sempre nos momentos felizes. Aceitar é o segredo para lidar com bons e maus momentos. Não aceitar com passividade ou vitimismo, mas a partir da aceitação e análise da realidade, pensar em alternativas para melhor administrá-los.

Dia desses li um trecho de um texto do Alex Castro que fez todo sentido do mundo e é com ele que finalizo essa reflexão.

A felicidade passa

 

 

Autocuidado

A gente tem ouvido falar aos montes que esse é o ano do “autocuidado”. Que é pra gente se cuidar, tirar o dia pra fazer algo que nos dê prazer, cuidar da pele, do corpo, da alimentação. E isso é realmente maravilhoso. Reservar um tempo no dia ou na semana pra fazer algo que a gente genuinamente gosta, que nos faz bem, que nos relaxa… É o nosso oásis nesse mundo maluco cheio de notícia que nos faz perder um pouco de fé na humanidade.

Mas li algo esses dias que me fez pensar:

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Ai! Senti um pequeno choque de realidade.

Pensamos no autocuidado, na maioria das vezes, apenas pela parte boa, do que nos da prazer e nos faz esquecer dos problemas. Mas o autocuidado também requer que enfrentemos e façamos coisas que nos tirem da zona de conforto e talvez não sejam tão agradáveis assim, mas que tem um enorme significado pra nossa qualidade de vida, pra que a gente siga em frente.

Autocuidado é também se esforçar pra ir em frente com projetos que são importantes pra você, que são parte da sua realização pessoal. Ao mesmo tempo em que é autocuidado saber quando abrir mão, desistir de coisas que já não tem mais significado. Deixar de lado amizades e relações que te machucam porque não tem mais sentido continuar com elas. Sobre essa última parte, gostaria de compartilhar uma experiência pessoal.

Por muito tempo achei que deveria manter vínculos com pessoas que já haviam feito parte da minha vida por um bom tempo. Que esse era o motivo pelo qual elas deveriam permanecer comigo, mesmo que tivéssemos nos tornado pessoas completamente diferentes em todos os sentidos possíveis, que nossas ideias não tivessem mais muito afinidade e não tivéssemos construído um laço de afeto sólido. Sei que a vida muda quando nos tornamos adultas, mas acredito que quando vínculos verdadeiros são mantidos, mesmo que a gente não encontre essas pessoas todos os dias, existem laços que perpassam o tempo e se mantem mesmo com as diferenças. Foi então que enxerguei que algumas pessoas foram sim importantes na minha vida, mas que nossa caminhada juntas não fazia mais muito sentido. Que eram amizades um pouco tóxicas, daquelas que fazem piscar uma luzinha interna de alerta. Que sou grata pelo que vivemos juntas, pelos aprendizados, mas que agora é tempo de seguirmos nossos caminhos separadamente. Sem raiva, nem nada. E, nossa, foi libertador. Tem sido, aliás.

Penso que autocuidado e autoconhecimento andam de mãos dadas. Só vamos conseguir cuidar de nós mesmas, saber o que é melhor pra nós, quando, de fato, nos conhecermos profundamente. E olha, eita desafio esse de se conhecer! Ao mesmo tempo em que nos tira da zona de conforto e mexe com nossas emoções, nos traz uma sensação incrível de que estamos no caminho certo, por mais difícil que ele possa parecer. Sabe quando a gente veste uma roupa que cabe perfeitamente e parece ter sido feita sobre medida pra nós? É isso. Essa é a sensação que tenho quando vou me conhecendo cada vez mais: que estou fazendo os ajustes em uma peça que me deixa perfeitamente confortável, que me dá mobilidade, que combina comigo. E a vida é tão curta pra tentar se encaixar em coisas que não cabem em nós, né?

Então, a gente pode (e deve) comer uns docinhos, colocar as séries em dia, tirar um tempo pra fazer o que amamos. Mas também devemos arrumar nossas bagunças (internas e externas) e fazer as mudanças que nos deixem mais próximas do que desejamos vir a ser. Que a gente mergulhe profundamente dentro de nós mesmas, analisemos (e busquemos ajuda pra isso), mudemos e nos tornemos o melhor que pudermos, pra nós e, consequentemente, para os outros.

A nossa voz

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Essa semana li um trecho de uma entrevista com uma criadora de conteúdo e que fez muito sentido pra mim. Ela dizia que amadureceu sua maneira de estar nas redes e que, a partir dessa mudança prioriza o que ninguém pode fazer por ela: falar com suas próprias palavras.

Em uma das cartas que envio mensalmente, comentei sobre como é importante a gente usar a internet como ferramenta de potencialização das nossas vozes. Se essa rede tá aqui pra gente se conectar, por que não fazer isso? Por que não colocar pra fora o que a gente acredita, pensa, sente? E isso pode ser feito não só pela escrita, mas pela música, vídeo, pintura, bordado… Pela nossa arte, independente de como ela se manifeste.

O texto abaixo também me tocou muito por me fazer enxergar a importância de compartilhar. Compartilhando, dividindo o que somos, nossos aprendizados e habilidades, somos capazes de inspirar e motivar outras pessoas a também fazer o mesmo. Assim é que conseguimos fazer com que o que acreditamos continue existindo em outras pessoas, ainda que não estejamos mais presentes.

Se eu morresse hoje

As vezes pensamos que é preciso realizar grandes feitos na nossa existência e isso acaba prejudicando nossa expressão porque tendemos a valorizar mais a finalidade do ato do que seu processo.  Talvez apenas precisemos dar vazão ao que nos deixa inquietas, ao que parece borbulhar no nosso peito pedindo desesperadamente para fazer morada fora de nós. E ainda que ninguém ouça, ou veja, ou leia, ou assista o que criamos, não importa. Façamos por nós. Isso basta.

Mas que é bom quando a nossa voz toca o outro, ah, isso é verdade. Porque nós nascemos para o contato, para a troca, para o aprendizado. Nascemos pra nos conectar com outras pessoas e é bom ver sua voz ecoando por aí. Que a gente nunca perca o desejo de falar sobre o que toca no nosso coração!

 

Simplicidades

Cafezinho, passeio com cachorros, corrida, picnic. Nada disso é extraordinária. É fácil não se encantar com o que tocar o nosso olhar todos os dias. Nesses vídeos, tento mostrar que é preciso apreciar os pequenos detalhes e se reencantar com a própria rotina.

Vi por aí #20

Pra ler: Já ouviu falar sobre síndrome da impostora? Esse é um assunto que vai entrar aqui no blog, mas enquanto isso, compartilho com vocês essa matéria do El País sobre o assunto.

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Pra comer: essa receita de Mutaball. Calma, te explico: esse é um patê de berinjela defumada, prato tradicional na palestina. A receita é da Sandra, uma grande inspiração no ativismo vegano.

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Pra ver: olha eu me indicando. Pode? Pode. Pra quem ainda não acompanhou, esse é o primeiro vídeo do compilado do final de semana.

Bom final de semana! 😉